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Ensino Superior: Cálculo: Aplicações da integral definida
Momentos de inércia de curvas planas

Material dirigido a pessoas que já conhecem o Cálculo Integral. Caso não conheça, sugiro que visite o nosso link Integrais de Funções Reais, onde você poderá aprender os principais conceitos sobre este assunto. Os procedimentos matemáticos que apresentamos, são acompanhados por exemplos ilustrativos.

Rn[a] significará a raiz n-ésima de a>0 e R[a] significará a raiz quadrada de a>0. Esta notação é mais significativa que a do sinal de raiz e Pi=pi=3,14159265359...



Propriedades das curvas planas

Uma curva plana pode ser descrita por algumas formas, como por exemplo:

FormaExpressãoExemploIntervalo
cartesianay = f(x)y = x²xem[-1,1]
cartesianax = g(y)x = y4yem[0,16]
paramétricaf(t)=(x(t),y(t))f(t)=(cos(t),sen(t))tem[0,2pi]
polarr=r(t) ou t=t(r)r=2 cos(t)tem[0,2pi]

Observações gerais sobre curvas planas:

  1. y=R[r²-x²], xem[-r,r] é uma descrição para a parte da circunferência localizada no semi-plano cartesiano superior.

  2. y=-R[r²-x²], xem[-r,r] é uma descrição para a parte da circunferência localizada no semi-plano cartesiano inferior.

  3. x=cos(t), y=sen(t), tem[0,2pi] é uma descrição para toda a circunferência x²+y²=r² no plano cartesiano.

  4. Se uma curva C é obtida pela reunião das curvas y=R[x] e y=-R[x], ela não é uma função da variável x definida sobre o intervalo [0,4], mas podemos tomar a função inversa x=y² com a variável y em [-16,16] e pensar a curva original como se estivesse rodada de 90 graus em relação aos eixos do sistema cartesiano. Assim, podemos escrever a curva C como função de y.


Momento Ixx para a curva plana descrita por y=f(x)

Se a curva é descrita por y=f(x), o momento de inércia da curva em relação ao eixo OX, denotado por Ixx, é dado por:

Ixx =x"

x'
f²(x) R[1+(f'(x))²] dx

Exemplo: Seja x²+y²=a² o arco de circunferência de raio a no 1o. quadrante com x[0,a]. Com f(x)=R[a²-x²], obtemos f'(x)=-x/R[a²-x²] e segue que:

Ixx =a

0
(a²-x²) R[1+x²/(a²-x²)] dx = a³ pi/4


Momento Ixx para a curva plana descrita por x=g(y)

Se a curva é descrita por x=g(y), o momento de inércia da curva em relação ao eixo OX, denotado por Ixx, é dado por:

Ixx =y"

y'
y² R[1+(g'(y))²] dy

Exemplo: Seja x²+y²=a² a semi-circunferência de raio a no semi-plano x>0 e y[-a,a]. Com g(y)=R[a²-y²], obtemos g'(y)=-y/R[a²-y²]. Segue que:

Ixx =a

-a
y² R[1+y²/(a²-y²)] dy = a³ pi/2


Momento Iyy para a curva plana descrita por y=f(x)

Para a curva descrita por y=f(x), o momento de inércia da curva em relação ao eixo OY, denotado por Iyy, é dado por:

Iyy =x"

x'
x² R[1+(f'(x))²] dx

Exemplo: Seja 4x+y-2=0 o segmento de reta no 1o. quadrante com x[0,1/4]. Se f(x)=2-4x, então f'(x)=-4 e temos:

Iyy =¼

0
R[17] x² dx


Momento Iyy para a curva plana descrita por x=g(y)

Para a curva descrita por x=g(y), o momento de inércia da curva em relação ao eixo OY, denotado por Iyy, é dado por:

Iyy =y"

y'
g²(y) R[1+(g'(y))²] dy

Exemplo: Seja 4x+y-2=0 o segmento de reta no 1o. quadrante com y[0,2]. Se g(y)=(2-y)/4, então g'(y)=-¼ e segue que:

Iyy =2

0
R[17]/16 (2-y)² dy = R[17]/6


Momento Ixy para a curva plana descrita por y=f(x)

Para a curva descrita por y=f(x), o produto de inércia da curva, denotado por Ixy=Iyx, é dado por:

Ixy = Iyx =x"

x'
x f(x) R[1+(f'(x))²] dx

Exemplo: Seja x²+y²=a² o arco de circunferência de raio a no semi-plano superior com x[-a,a]. Vamos tomar f(x)=R[a²-x²], para obter f'(x)=-x/R[a²-x²] e ter:

Ixy = Iyx =a

-a
x R[a²-x²] R[1+x²/(a²-x²)] dx = 0


Momento Ixy para a curva plana descrita por x=g(y)

Para a curva descrita por x=g(y), o produto de inércia da curva, denotado por Ixy=Iyx, é dado por:

Ixy = Iyx =y"

y'
y g(y) R[1+(g'(y))²] dy

Exemplo: Seja (x-a)²+(y-a)²=a² a circunferência de raio a no primeiro quadrante e tangente aos eixos OX e OY. Esta curva não representa uma função x=g(y), logo ela será decomposta em duas funções:

x = g1(y) = a+R[a²-y²]
x = g2(y) = a-R[a²-y²]

Temos que:

g1'(y) = –(y-a)/R[a²-(y-a)²]
g2'(y) = +(y-a)/R[a²-(y-a)²]

Calcularemos Ixy com a soma das duas integrais I1 e I2.

I1=2a

0
y(a+R[a²-y²])R[1+(y-a)²/(a²-(y-a)²)]dy=a³(pi+1)
I2=2a

0
y(a–R[a²-y²])R[1+(y-2)²/(a²-(y-2)²)] dy=a³(pi–1)

Dessa forma, Ixy=I1+I2 = 2pia³.



Momento de inércia polar Io de uma curva plana

O momento de inércia polar de uma curva, denotado por Io, pode ser calculado em função dos momentos de inércia da curva em relação aos eixos OX e OY, respectivamente denotados por Ixx e Iyy, através de Io=Ixx+Iyy.

Exemplo: Seja (x-a)²+(y-a)²=a² a circunferência de raio a que é tangente aos eixos OX e OY, localizada no primeiro quadrante. Esta curva não é uma função, mas no intervalo [0,2pi] ela pode ser decomposta na reunião de duas funções:

y = f1(x) = a + R[a²-(x-a)²]
y = f2(x) = a – R[a²-(x-a)²]

Temos que:

f1'(x) = –(x-a)/R[a²-(x-a)²]
f1'(x) = +(x-a)/R[a²-(x-a)²]

Calcularemos Ixx como a soma de duas integrais I1 e I2.

I1=2a

0
(a+R[a²-(x-a)²])².R[1+(x-a)²/(a²-(x-a)²)] dx
I2=2a

0
(a–R[a²-(x-a)²])².R[1+(x-a)²/(a²-(x-a)²)]dx

I1=(3/2)pia³+4a³ e I2=(3/2)pia³–4a³ e dessa forma obtemos Ixx=I1+I2=3pia³ e de forma análoga, obtemos Iyy=3pia³ e concluímos que Io=Ixx+Iyy=6pia³.



Alguns casos especiais

ObjetoSegmento
horizontal
Segmento
inclinado
CircunferênciaSemi
circunferência
Curvay=0, 0<x<Ly=tg(a).x, a=ângulo(x-r)²+(y-r)²=r²(x-r)²+y²=r², y>0
Comprimentoss2rr
Momento Mx0½ s² sen(a)2pi2r²
Momento My½ s²½ s² cos(a)2pi2pi
Abscissa: x½ s½ s cos(a)rr
Ordenada: y0½ s sen(a)r2r/pi
Momento Ixx0s³ sen²(a)3pi(pi/2)r³
Momento Ixy0(1/6)s³sen(2a)2pi2r³
Momento Iyy(1/3)s³(1/3)s³cos²(a)3pi(3/2)pi

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