"Quanto melhor é adquirir a sabedoria do que o ouro e quanto mais excelente é escolher o entendimento do que a prata!"
Provérbios 16:16 A Bíblia Sagrada
Aplicação binária
Seja S um conjunto não vazio. Uma aplicação binária em S é uma aplicação f:S×S
S. Às vezes, uma operação binária é denominada operação interna, pois tomando dois elementos arbitrários em S, o resultado deverá estar dentro do conjunto S.
Exemplos: Seja N={1,2,3,...} o conjunto dos números naturais.
A aplicação f:N×N
N definida por f(m,n)=m+n é uma aplicação binária, onde + é a adição usual.
A aplicação f:N×N
N definida por f(m,n)=m.n é uma aplicação binária, onde . é a multiplicação usual.
A aplicação f:N×N
N definida por f(m,n)=m–n não é uma aplicação binária, pois nem sempre a diferença m–n está no conjunto N dos números naturais.
A aplicação f:N×N
N definida por f(m,n)=m÷n não é uma aplicação binária, pois nem sempre a divisão m÷n está no conjunto N dos números naturais.
Observações sobre aplicações binárias:
Escrevemos m+n, para entender que existe uma aplicação binária f(m,n)=m+n que é a operação de adição.
Escrevemos m.n, para entender que existe uma aplicação binária f(m,n)=m.n que é a operação de multiplicação.
Se não estiver clara a operação, usaremos outros sinais como *, o,
ou
para substituir esta operação.
A notação (S,*) significa que está definida uma aplicação binária * sobre um conjunto não vazio S.
Características das operações binárias
Seja * uma aplicação binária sobre um conjunto não vazio S. Diz-se que a estrutura (S,*) possui:
a propriedade comutativa se, para quaisquer m,n
S, tem-se que m*n=n*m.
a propriedade associativa se, para quaisquer m,n,p
S, vale: (m*n)*p=m*(n*p).
elemento neutro (ou identidade) e
S, se para todo n
S:
e*n=n*e=n.
elemento simétrico em S, se para cada n
S, existe m
S tal que n*m=m*n=e.
onde e é o elemento neutro apresentado no ítem anterior e m é o elemento simétrico de n.
Proposição sobre o simétrico
Demonstrar que se a estrutura (S,*) possui as três propriedades:
é associativa;
possui elemento neutro; e
para cada m
S, existe um elemento simétrico em S
então, cada simétrico é único e além disso, o simétrico do simétrico de m é o próprio m.
Observação: A palavra simétrico recebe nomes especiais como oposto ou inverso, dependendo da operação utilizada. Se usamos a adição usual, o simétrico aditivo de m
S é denotado por -m e conhecido na literatura como oposto, mas se usamos a multiplicação usual, o simétrico multiplicativo de m
S é denotado por m-1, conhecido na literatura como inverso.
Grupo
Um grupo é uma estrutura (S,*), formada por um conjunto não vazio S sobre o qual foi definido uma aplicação binária *, satisfazendo às propriedades:
(S,*) é associativa;
(S,*) possui um elemento neutro;
Cada elemento n
S possui um simétrico m
S com relação à operação *.
Se a aplicação * é a adição, o grupo (S,*) é aditivo e se a aplicação * é a multiplicação, o grupo (S,*) é multiplicativo.
Se a estrutura de grupo (S,*) é comutativa, o grupo é comutativo ou grupo abeliano.
Exemplos importantes:
O conjunto Z dos números inteiros com a adição usual, estabelece uma estrutura (Z,+) de grupo abeliano, pois:
Para quaisquer m,n,p
Z tem-se que (m+n)+p=m+(n+p).
Existe 0
Z tal que para todo m
Z tem-se que 0+m=m+0=m.
Para cada m
Z existe –m
Z tal que m+(–m)=0.
Para quaisquer m,n
Z tem-se que m+n=n+m.
O conjunto W={0,1} munido com a operação
definida por:
0
0 = 0, 0
1 = 1, 1
0 = 1 e 1
1 = 0
possui uma estrutura (W,
) de grupo abeliano.
O conjunto Y={1,–1} com a operação usual de multiplicação de números inteiros estabelece uma estrutura (Y,.) de grupo abeliano.
Se P={0,1,2,3,4,5,...} é um conjunto de números inteiros munido com a adição usual, (P,+) não forma uma estrutura de grupo, pois nem todos os elementos de P possuem opostos em P, embora (P,+) seja associativa, comutativa e possua elemento neutro.
Tabelas de operações binárias e grupos
Muitas vezes temos conjuntos S munidos de operações definidas através de tabelas de dupla entrada (na forma de uma matriz) com o resultado da operação do primeiro elemento de uma linha com o primeiro elemento de uma coluna aparecendo no cruzamento da linha com a coluna.
Exemplos de grupos definidos por tabelas
O conjunto W={0,1} com a adição
definida pela tabela abaixo define
(W,
) como um grupo abeliano.
![]() | 0 | 1 |
|---|---|---|
| 0 | 0 | 1 |
| 1 | 1 | 0 |
O conjunto Y={–1,1} com a multiplicação usual definida pela tabela abaixo define (Y,.) como um grupo abeliano.
| . | –1 | 1 |
|---|---|---|
| –1 | 1 | –1 |
| 1 | –1 | 1 |
O conjunto S={0,1,2,3} com a adição
definida pela tabela abaixo define (S,
) como um grupo abeliano.
![]() | 0 | 1 | 2 | 3 |
|---|---|---|---|---|
| 0 | 0 | 1 | 2 | 3 |
| 1 | 1 | 2 | 3 | 0 |
| 2 | 2 | 3 | 0 | 1 |
| 3 | 3 | 0 | 1 | 2 |
O conjunto T={1,i,–1,–i} dos números complexos que são zeros da equação algébrica x4–1=0 com a multiplicação * definida pela tabela abaixo define uma estrutura (T,*) de grupo abeliano.
| * | 1 | i | –1 | –i |
|---|---|---|---|---|
| 1 | 1 | i | –1 | –i |
| i | i | –1 | –i | 1 |
| –1 | –1 | –i | 1 | i |
| –i | –i | 1 | i | –1 |
Interpretação das tabelas
Usaremos a tabela abaixo para obter informações.
![]() | 0 | 1 | 2 | 3 |
|---|---|---|---|---|
| 0 | 0 | 1 | 2 | 3 |
| 1 | 1 | 2 | 3 | 0 |
| 2 | 2 | 3 | 0 | 1 |
| 3 | 3 | 0 | 1 | 2 |
A simetria dos elementos em relação à diagonal principal significa que esta operação é comutativa.
A linha (ou coluna) do 0 se repete em relação à linha (ou coluna) do
significando que 0 é o elemento neutro.
Se aparece 0 (elemento neutro citado no ítem anterior) no cruzamento de uma linha com uma coluna, significa que o primeiro elemento da linha e o primeiro elemento da coluna são simétricos um do outro, como é o caso de 3 e 1, pois 3
1=1
3=0.
A associatividade deve ser verificada para todos os elementos.
Isomorfismo de grupos
Uma aplicação f:S
T é um isomorfismo entre os grupos (S,
) e (T,*), se f é bijetora e para quaiquer x,y
S, tem-se que
f(x
y) = f(x) * f(y)
Se existe um isomorfismo entre os grupos (S,
) e (T,*), dizemos que os grupos (S,
) e (T,*) são isomorfos.
Exemplo: Sejam S={0,1,2,3} e T={1,i,-1,-i} os conjuntos cujas operações binárias foram apresentados nas duas tabelas. Os grupos (S,
) e (T,*) são isomorfos, pois tomando a aplicação f:S
T definida para cada m
S por
f(m) = im = i*i*i...*i (m vezes)
segue que f é bijetora e além disso, quaisquer que sejam m,n
S, tem-se que:
f(m
n) = im+n = im*in = f(m) * f(n)
A aplicação f é um isomorfismo entre (S,
) e (T,*), f(0)=1, isto é, o elemento neutro 0
S é aplicado no elemento neutro 1
T por f. Ainda temos: f(1)=i, f(2)=–1 e f(3)=–1.
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Construída por Ulysses Sodré. |
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