Relacões e funções entre conjuntos
Consideremos dois conjuntos A={a,b} e B={1,2}. Vamos estudar a quantidade de relações e funções existentes entre estes conjuntos

Todas as relações em A×B.
O produto cartesiano A×B possui 4 pares ordenados, apresentados por:
A×B = {(a,1),(a,2),(b,1),(b,2)}

Existem duas relações triviais em A×B que são: R1=Ø e R16=A×B. A relação vazia é aquela que não possui elementos de A×B, enquanto que a relação R=A×B contém todos os pares ordenados possíveis em A×B.
Existem ainda outros tipos de relações em A×B, contendo 1, 2 ou 3 pares ordenados.
O número de relações contendo 1 par ordenado é dado por C4,1=4. Tais relações são:
R2={(a,1)}, R3={(a,2)}, R4={(b,1)}, R5={(b,2)}

O número de relações contendo 2 pares ordenados é dado por C4,2=6. Tais relações são:
R6={(a,1),(a,2)}, R7={(a,1),(b,1)},
R8={(a,1),(b,2)}, R9={(a,2),(b,1)},
R10={(a,2),(b,2)}, R11={(b,1),(b,2)}

O número de relações contendo 3 pares ordenados é dado por C4,3=4. Tais relações são:
R12={(a,1),(a,2),(b,1)}, R13={(a,1),(a,2),(b,2)},
R14={(a,1),(b,1),(b,2)}, R15={(a,2),(b,1),(b,2)}

Concluímos que existem 16 relações em A×B, que foram apresentadas.
A fórmula geral para obter este número N de relações em A×B, é dada por:
N = C4,0 + C4,1 + C4,2 + C4,3 + C4,4 = 24
que é um caso particular da identidade
Cn,0 + Cn,1 + Cn,2 + ... + Cn,n-1 + Cn,n = 2n
que é válida para todo inteiro n não negativo. Esta última identidade também pode ser escrita com números binomiais na forma:
| ( | n 0 |
)+( | n 1 |
)+( | n 2 |
)+...+( | n n-1 |
)+( | n n |
)=2n |
|---|
Todas as funções possíveis em A×B.
Para obter todas as funções em A×B, analisaremos todas as 16 relações obtidas anteriormente.
A relação trivial R1=Ø em A×B, não é uma função, pois ela não possui qualquer elemento no domínio A e nem mesmo no contradomínio B.
A relação R16=A×B não é uma função pois um mesmo elemento a em A está associado a dois outros em B.

As relações R2, R3, R4 e R5 com apenas um par ordenado, não são funções porque em cada caso, apenas um dos elementos de A está associado a elementos de B e pela definição de função, todos os elementos de A deveriam estar associados a elementos de B.

Dentre as relações com dois pares ordenados, R6={(a,1),(a,2)} e R11={(b,1),(b,2)} não são funções, porque um mesmo elemento de A está associado a dois elementos de B.

Só as relações R7={(a,1),(b,1)}, R8={(a,1),(b,2)}, R9={(a,2),(b,1) } e R10={(a,2),(b,2) } são funções em A×B.

Dentre as relações R12, R13, R14 e R15 com três pares ordenados, nenhuma delas é uma função pois para um mesmo elemento de A, estão associados dois elementos de B.

Todas as possíveis funções em A×B são as relações R7={(a,1),(b,1)}, R8={(a,1),(b,2)}, R9={(a,2),(b,1)} e R10={(a,2),(b,2)}.
Todas as funções injetoras em A×B.
Dentre todas as funções em A×B, dadas por:
R7={(a,1),(b,1)}, R8={(a,1),(b,2)},
R9={(a,2),(b,1)}, R10={(a,2),(b,2)}
R7 e R10 não são injetoras, porque dois elementos diferentes em A são associados ao mesmo elemento de B, assim, somente R8 e R9 são funções injetoras.


Todas as funções sobrejetoras em A×B.
Dentre todas as funções em A×B, dadas por:
R7={(a,1),(b,1)}, R8={(a,1),(b,2)},
R9={(a,2),(b,1)}, R10={(a,2),(b,2)}
R7 e R10 não são sobrejetoras, porque existem elementos em B que não estão associados a elementos de A, logo, somente R8 e R9 são funções sobrejetoras.


Todas as funções bijetoras em A×B.
Como R8 e R9 são funções injetoras e também sobrejetoras, segue que tais funções são bijetoras.

As inversas das funções que são bijetoras
A inversa da função R8={(a,1),(b,2)} é dada por
I8={(1,a),(2,b)}

A inversa da função R9={(a,2),(b,1)} é dada por
I9={(2,a), (1,b)}
respectivamente obtidas pelas trocas das posições das duas coordenadas dos pares ordenados das funções R8 e R9.

Relação de Stifel
Esta relação afirma que para quaisquer inteiros não negativos n e p com p<n, vale a identidade:
| ( | n p |
) | + | ( | n p+1 |
) | = | ( | n+1 p+1 |
) |
|---|
Demonstração:
| ( | n p |
) | + | ( | n p+1 |
) | = | n! p!(n-p)! | + | n! (p+1)!(n-p-1)! |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| = | n! p!(n-p)!(n-p-1)! |
+ | n! (p+1)!p!(n-p-1)! |
|||||||
| = | n!(p+1) (p+1)!(n-p)! |
+ | n!(n-p) (p+1)!(n-p)!(n-p-1)! |
|||||||
| = | n!(p+1) (p+1)!(n-p)! |
+ | n!(n-p) (p+1)!(n-p)! |
|||||||
| = | n!(p+1+n-p) (p+1)!(n-p)! |
= | n!(n+1) (p+1)!(n-p)! |
|||||||
| = | (n+1)! (p+1)!(n-p)! |
= | (n+1)! (p+1)![(n+1)-(p+1)]! |
|||||||
| = | (n+1)! (p+1)! |
|||||||||
Propriedade binomial
Demonstrar que para cada inteiro n não negativo, vale a identidade com números binomiais:
| ( | n 0 |
)+( | n 1 |
)+( | n 2 |
)+...+( | n n-1 |
)+( | n n |
)=2n |
|---|
Usaremos a notação de combinação para esta identidade, isto é:
P(n): Cn0 + Cn1 + Cn2 + ... + Cnn-1 + Cnn = 2n
A demonstração utilizará o Princípio da Indução Matemática.
A propriedade P(1) é verdadeira, pois:
P(1): C10 + C11 = 1+1 = 2 = 21
Suponhamos que a propriedade seja verdadeira para m natural com m>1, isto é:
P(m): Cm0 + Cm1 + Cm2+...+Cmm-1 + Cmm = 2m
Usando a hipótese de indução acima, demonstraremos que é verdadeira a propriedade para m+1, isto é:
P(m+1): Cm+10+Cm+11+...+Cm+1m+Cm+1m+1=2m+1
Na sequência usaremos a relação de Stifel:
Cnp + Cnp+1 = Cn+1p+1
Realizaremos a demonstração, desenvolvendo o membro da esquerda de P(m+1), que será indicado por E(m+1).
| E(m+1) | = | Cm+10 +Cm+11+...+Cm+1m +Cm+1m+1 | |
|---|---|---|---|
| = | [Cm0 +Cm1+...+Cmm-2 +Cmm-1 +1] | +[1 +Cm1 +Cm2+...+Cmm-1 +Cmm] | |
| = | [Cm0 +Cm1+...+Cmm-2 +Cmm-1 +Cmm] | +[Cm0 +Cm1 +Cm2 +...+Cmm-1 +Cmm] | |
| = | 2m + 2m = 2(2m) = 2m+1 |
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Construída por Julio Estefano e Ulysses Sodré |
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