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Rosinha, Minha Canoa

Um livro de: José Mauro de Vasconcellos

         

 
O livro é um hino de amor e respeito à natureza, contando a trajetória de Zé Orocó, envolvido em "causos", histórias fantásticas e lendas, e sua amizade com uma canoa. José Mauro resgata o encontro das coisas singelas e verdadeiras da vida. José Mauro nos transporta para um mundo de emoção e sensibilidade. Zé Orocó é um homem simples que navega pelas águas do rio Araguaia com sua canoa Rosinha.

 Primeiro Capítulo: Conversa de Amor:
 “A Vida era pai d´égua de bonita.”
 “... tão suave que a água do rio quase virou música e a canoa deslizou macia como se voasse.”
 “O Sol morno e sonolento escondia-se nas nuvens e começava a descer rebocando a tarde. Jaburu, na praia branca do rio, conversava uma eternidade de silêncio.”
 “Boa tarde, verão bonito, que vem chegando com tanta ternura.”
 “Xengo-delengo-tengo...Tanto faz.”
 “A chuva sumira lá na curva do rio. O Sol botou os olhões para fora de novo.”

Terceiro Capítulo: Olhos Vegetais:
 “Fechou os olhos deliciando-se com o silêncio daquela hora e com a paz do próprio coração...”
 “Abriu os olhos e de repente notou que a noite se apressara mais do que de costume...”
 “Uma angústia enorme invadia toda a insignificância do seu ser, porque a terra, sempre escura, não contava nada do que se passava do lado de fora.”
 “Verdade era que tinha saudade do Sol e dos cantos dos pássaros; entretanto, acalmava-se e tentava compreender que aquele mistério fazia parte necessariamente de sua transformação.”
 “Não podia falar porque a terra quente, abafando tudo, transformava suas palavras em silêncio.
 “ A terra estremecia de medo porque a natureza trovejava.”
 “...as gotas de chuva introduzindo-se, infiltrando-se, até o âmago da terra...Vinham cansadas da longa viagem feita do céu através do espaço zangado...”
 “ O vento começou a crescer e a cantar nas folhas das árvores. Com isso desprendia o perfume da terra e sugava o cheiro das flores.”
 “Um clarão apareceu no céu e a Lua vinha montada nele. A Lua com seus olhos muito negros começou a beber nos copos-de-leite dos lírios selvagens. Ai que bonito!...
Acompanhando a Lua, vieram pirilampos, com o corpo de fogo oscilando, iluminando tudo em pedaços de cores brilhantes...”
 “A primavera apareceu cantando com as suas flores.”
 “A chuva ameaçou a vida. O céu tornou-se sombrio e insuportável. Um dia rachou-se de cima a baixo.”
 “... era o tempo das águas. E as noites sufocadas foram-se tornando mais lentas e prolongadas.”
 “O costume das coisas estraga as sensações.”
 “Quando o sol surgiu pela primeira vez depois de tanto tempo de ausência, todo mundo exultou de alegria.”
 “...quando a noite não vivia da Lua alimentava-se com as estrelas. E o rio amigo deixava que elas vivessem nas suas mornas águas, que caminhava mais devagar porque estavam adormecidas.”
 “Era a vida. A vida se realizando em toda sua plenitude, em toda sua beleza.”
 “Sua cabeça costumava pender de sono. Seus olhos, quando se abriam, serviam apenas para demonstrar um resto de luz que fugia sempre...”
 “ A picada produzida por uma grande dor perfurou-a...”
 “Descobrira que a beleza não existia nas coisas e sim dentro da gente. E quando ela morria as coisas se tornavam opacas, apagadas e incrivelmente comuns.”

“Eu faço minha casinha
Tão alegre e bonitinha
Para meu bem vir morar...
Do lado farei jardim
Cheio de lírio e jasmim
Para meu amor cheirar”...

“Chega o outono e as árvores começam a ficar amareladas, prenunciando as chuvas.”
 “Só então deixou que o corpo elegante de asas entreabertas fosse levado pelo vento em direção à praia.”
 “Tornaram-se os dias mais quentes. O Sol incendiava tudo. Ao longe os capinzais selvagens perdiam o verdor e se transformavam numa vasta cabeleira afogueada, retorcendo-se ao vento morno. Até o vento soprava amarelo e seco.”
 “Partira a primavera, levando todas as flores. Agora o outono, cálido e insensível, amarelecia as folhas sem escolher. Via-se a leva de folhas mortas, despencando-se sem vida e amontoando-se no chão.”
 “O Sol, não podendo atravessá-las, irritado, transformava tudo num mormaço ardente que machucava os olhos.”

“Não tenho medo da chuva
Nem do ronco do trovão.
Tomara mesmo que chova
Pra molhar meu coração...”

“A chuva rebentou sobre a terra. Um cheiro forte de coisa que renascia invadiu tudo. Grandes lufadas d´água se projetavam. O vento selvagem distribuía a chuva que caía impetuosa.”
 “Por um momento a natureza se calou. O vento cessou. A chuva estacou-se. Parecia que a calma voltara à selva.”

 

 

 
     

 

   
 

   

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 Copyright © 2003. Rosemira Guerreiro. By HelenCris.